Lua Cheia

Um dia a gente acorda e percebe que perdeu muito tempo. Um dia a gente acorda e percebe que não o tem mais... Na verdade é um reedição de um outro blog que eu tinha e vai ser desativado. Ele começou dia 30 de setembro de 2003.

sexta-feira, julho 09, 2004

Hoje eu sonhei...

...que estava com frio e que sentia dor, mas não sabia onde....
Sonhei que estava perdida, num labirinto de palavras, e estava sozinha.
Estava com medo, minhas perguntas me sufocavam e eu chorava sangue.
Eu via rosas, mas ao tentar alcança-las, os espinhos me machucavam.
A chuva que sempre me pareceu tão acolhedora, agora caia sobre minha pele como pedras.
Eu não conseguia gritar... e descobri que a dor era no peito, e que meu coração estava perdendo sangue aos poucos; tive ainda mais medo....
Mas ai, senti alguém se aproximar e percebi que tanto quanto eu estava ferido também....
Me aproximei, contando os passos, com medo, estendi a mão e foi recíproco.
O soluço saiu de minha garganta, e eu me vi deitada no seu colo, ainda chorando mas agora com muito de alivio em cada lagrima, e pouco de dor...
.... há muito tempo eu procurava um lugar tranqüilo, onde eu pudesse chorar, sem repreendas por isso, não queria mais ouvir que ia dar tudo certo, mas que mesmo que não desse certo, eu não estaria sozinha...
Essa solidão a qual me acostumei, a qual acabei me apegando, por mais que a odiasse. Por falta de opção, era minha parceira mais fiel.
Eu não queria só ter alguém em quem confiar, queria que confiasse em mim também, não queria só ter abrigo, queria ser o abrigo também.
Tive medo, achei que meu sangue vertendo do coração levaria junto minha esperança, tudo o que eu mais gostava em mim, e nada parecia disposto a fazer essa ferida fechar.
Meu desespero era que se esgotasse minha vontade de acreditar, de encontrar verdade, que se esgotasse o brilho dos meus olhos e meu sorriso, e perder a minha parte de criança que eu amo.....
Olhei em seus olhos e vi doçura, apesar da dor, em seus braços encontrei calor apesar da chuva que também te molhava.
Então meu coração voltou a bater como antes e eu tinha calor para aquecer você também, o sangue finalmente parecia ser contido em minha fonte de vida.
Uma nuvem se afastou dos meus olhos, e eu tive certeza de não estava mais sozinha, por mais que houvesse distancia entre a gente e, nessa plenitude, acordei de um sonho que pareceu ser tão real que ao acordar ele ainda acontecia.
Esse texto se refere a mesma pessoa que mandou esse desenho...