Lua Cheia
Um dia a gente acorda e percebe que perdeu muito tempo. Um dia a gente acorda e percebe que não o tem mais... Na verdade é um reedição de um outro blog que eu tinha e vai ser desativado. Ele começou dia 30 de setembro de 2003.
terça-feira, agosto 30, 2005
segunda-feira, agosto 29, 2005
Dramas adolescentes, mas vai se fuder que o blog é meu!
Pensando no quanto estou cansada de ter limpado uma casa enorme sozinha, lavado tapetes e molhado as plantas (que bom que elas vingaram, confesso que tive medo que elas morressem também, tudo do que gosto está dando errado ou morrendo), minhas costas estão me matando de varrer tapetes e carregar baldes.
Durante a tarde enquanto eu fazia isso, me lembrei que desde que voltei a estudar e enquanto estive trabalhando e agora que voltei (não ganho dinheiro, mas trabalho) se meu pai me perguntou duas vezes se tenho dinheiro pra comer foi muito.
Quando estava na escola, eu ganhava dinheiro pra comer um salgado na hora do recreio, guardava o dinheiro e comia feito uma louca no almoço. Quando minha mãe descobriu isso, parou de me dar o dinheiro.
Com doze anos comecei a trabalhar em troca de lanches ou de sorvetes; trabalhava o dia todo e quando ganhava o pão (literalmente) no fim do dia, ficava tão feliz! Assim foi até os 15, quando comecei a ganhar dinheiro na padaria pra limpar chão e levar desaforo pra casa dos patrões e clientes pela 1° vez, às vezes acordava às 5 horas da manhã, pleno mês de julho (me lembro do mês só porque passei o dia do meu aniversário lavando uma cozinha cheia de fornos, o que não foi ruim, pois estava frio) pra guardar leite no freezer. Nunca reclamei disso. Mudei de emprego, e descobri que meu patrão estava me “negociando” com um cliente que tinha no mínimo três vezes minha idade.
Quando contei pro meu pai, ele riu.
Ele riu! Será que achou que eu estava mentindo? Até hoje não acredito, mas ele riu.
Enfim, nunca parei de tentar ter o meu, agüentei todo tipo de desaforo de patrão e cliente calada porque eu sabia que precisava do que vinha no fim do mês.
Meu irmão mais velho sempre aproveitou bem a vida sem se preocupar muito com isso, freqüentou todas as festas que pode, namorou o quanto quis (me lembro de ele me pedindo dinheiro pra motel) e com quantas quis, enquanto criança, brincou de tudo que quis, fez todas as vagens que pode com colégio e amigos.
Quando eu pedia pra ir viajar, perguntava se podia e me perguntavam se eu preferia viajar ou ganhar o dinheiro, eu escolhia o dinheiro que nunca vi, assim como foi no dia da minha formatura de 8° série. Tudo bem até ai.
Enquanto eu limpava a casa e apanhava da minha mãe, meu irmão brincava com os amigos dele na rua, ele não soube o que era trabalhar de verdade antes dos 20 anos. Me lembro de uma vez que cheguei nela e disse que eu pedia por papai do céu que se fosse pra eu apanhar que não fosse todo dia mais, doía.
Meu irmão completou 18 anos e ganhou um carro, não era novo, mas ele não andou mais a pé ou de ônibus nem pra ir até a esquina, eu trabalhando pra comprar meus absorventes porque meu pai não falava comigo, ate cheguei a juntar algum dinheiro que eu usaria pra comprar um transporte pra mim quando chegasse a minha vez, mas o desgraçado do Harley gastou todo, sei que fui idiota de deixar, mas ele é um desgraçado que não pensa o quanto faz mal as pessoas.
Eu completei 18 anos, meu pai ainda não falava direito comigo, eu queria comprar um carro pra mim com um dinheiro de acerto, pedi que meu pai fosse ver o carro comigo, estava na porta de casa, ele nem saiu no portão. Comprei aquele maldito carro que não quero nem lembrar o quanto ele me fez chorar. Meu sonho sempre foi uma moto, mas tirei carta de carro sob a promessa de minha mãe de que me ajudaria a comprar um carro. Pergunta se alguém lembra dessa promessa?
Tudo bem, eu sabia que podia conseguir sozinha. Veio a Embratel, vendi aquele carro do inferno, juntei a duras penas o dinheiro (sair??? No máximo as noitadas de pic-nic no pão de açúcar com a Amanda e as festas de graça que a Embratel dava), entrei em um consórcio e ia finalmente poder pegar a moto planejada há quase 10 anos, quando comecei a trabalhar pra Maggie andar no said - car comigo (era um sonho estúpido? Pode ser mas era o meu único sonho) tardes e mais tardes sentada conversando com ela, imaginando como ela ficaria de capacete com a língua de fora. Meu irmão casou, pedi pro meu pai dar o apartamento pra ele, coitado, ele não tinha onde morar. A sogra dele o ajudou a trocar de carro pra um mais novo...
Ótimo!
Eu atravessando a cidade a pé porque meu pai só sabia falar “a gasolina ta cara”.
Fui demitida da Embratel (que bom, porque de positivo de lá só ficaram algumas amizades), pensei que arrumaria um emprego logo, afinal de contas não sou tão burra, e peguei a moto com o dinheiro do acerto, até tentei trabalhar de garçonete, mas a maldita Embratel me deixou uma tendinite no braço e no dia seguinte ao primeiro dia de trabalho eu não agüentava de tanta dor, tentei outros tantos empregos, mas os horários da faculdade não deixam, e tive que vender a moto pra não perder tudo, logo depois minhas coisas começaram a ser arrancadas de mim uma atrás da outra e a Maggie morreu...
E eu vendo meu irmão arrumar empregos de meio período que lhe dão muito mais em uma semana do que eu ganhava em um mês.
Ainda atenho que ouvir minha mãe me chamando de preguiçosa quase todos os dias porque não varri as folhas da calçada, ou porque não tive tempo de cortar a couve flor.
Tenta acordar todo dia às 8 da manhã, limpar casa, ir pro trabalho, de lá, ir direto pra faculdade em outra cidade e ficar do meio dia a meia noite e meia com um pão com manteiga no estomago, ir dormir ali pelas duas da manha e começar tudo de novo,tenta.
Hoje eu estava ali pedindo pras minhas costas pararem de doer e pensando como eu faria pra tirar cinco fotos de trabalhos que quero mandar pra uma exposição porque não tenho dinheiro nem pra comprar filme muito menos pra mandar revelar, quando ele chegou, abriu o note book, e mostrou as fotos que ele e a esposa tiraram esse fim de semana em Santos com a câmera digital nova.
Confesso, estou com muita inveja dele. Fico feliz por ele ter dado certo, mas estou com inveja.
Gostaria de saber onde foi que eu errei e ele acertou. Será que se eu começasse a gastar o mesmo dinheiro que ele gastou quando era mais jovem, eu teria o mesmo retorno que ele?
Eu não queria ser rica, só queria ter dinheiro pra comer na faculdade, porque vou direto do trabalho (não remunerado) pra lá e geralmente chego varada de fome de noite em casa e não tem janta, ou poder abastecer o carro quando vou ao centro buscar materiais pra faculdade, ou puder sair pra passear sem pensar que meu dinheiro não vai dar pro ingresso de vez em quando, ou não perder chances de fazer alguma coisa que tanto quero (como a exposição) porque não tenho dinheiro pra isso.
Desculpe, mas eu estou sozinha, chorando feito uma criança que perdeu o brinquedo e não tinha ninguém pra falar sobre isso, pela primeira vez estou me sentindo fracassada, e pensando que nada tem dado certo pra mim, mas sei que só a Amanda e o Philber lêem isto aqui e eles já estão acostumados com meus dramas que não interessam a ninguém, não sei nem mesmo se eles vão ler isto tudo, e pouco me importa se mais alguém vai ler e achar ridículo.
Obs: Amanda, leite de burra da gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaases!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
domingo, agosto 28, 2005
quinta-feira, agosto 25, 2005
quarta-feira, agosto 24, 2005
terça-feira, agosto 23, 2005
O post hoje é meio triste
Um olhoVieram coisas na minha cabeça e comecei a chorar. Fiquei angustiada.
Queria uma chance de sentar com alguém de um passado não muito distante e explicar algumas coisas.
Dizer que cometi sim um grande erro, mas não o que ele pensa, meu erro único foi confundir carinho e paixão.
Me condeno por não ter pensado antes no mal que isso poderia lhe fazer.
Gostaria que acreditasse que não tenho culpa pelo que me condena.
domingo, agosto 21, 2005
sexta-feira, agosto 19, 2005
terça-feira, agosto 16, 2005
segunda-feira, agosto 15, 2005
Nossa, saudades...
Minha flor de maio resolveu dar flor...
...em agosto.
Mas deu oras! Depois de mais de 2 anos achei que ela nunca mais fosse dar flor, mas deu.
Qual será o recorde do Guiness para dor de cabeça?Quatro dias sem interrupção...
Dá nada não, poderia ser pior, o vaso sanitário poderia estar entupido.
domingo, agosto 14, 2005
sábado, agosto 13, 2005
quinta-feira, agosto 11, 2005
A triste realidade
Foi então que me disseram que eu teria que crescer e que, crescendo, tudo seria diferente... Eu perderia pessoas que amo, mas que não me amavam tanto assim, os amigos, na verdade parte de mim, talvez precisassem se afastar, contra a vontade, mas precisariam. Eu olharia no espelho e me veria diferente a cada instante, sem explicação, muitas coisas aconteceriam e a maioria poderia me machucar. Disseram-me que eu teria de parar de brincar de pique pega na chuva, abraçar as pessoas poderia ser perigoso, andar descalço era proibido, as pessoas são más, eu reaprenderia a chorar de verdade, iriam mentir pra mim, e que brigas seriam inevitáveis...
Tudo parece escuro,
talvez a gente ainda não tenha aprendido a abrir os olhos
somos filhotes, sozinhos no mundo
se sentimos frio, parece que ninguém nos aquece,
se temos fome, parece que nada nos alimenta,
se choramos parece que ninguém ouve,
se sorrimos parece que não há um motivo...
Talvez, na verdade,
a única coisa que esteja acontecendo
é que todos a nossa volta sejam cegos como nós,
apenas filhotes esperando à hora de abrir os olhos e enxergar você
porque eles também se sentem sozinhos...
domingo, agosto 07, 2005
sábado, agosto 06, 2005
Tenho que agradecer a vida
Porque esses caminhos me ensinaram a não me culpar pelo que deu errado
Por tudo que eu passei antes disso,
Porque tudo que passei me ensinou que não preciso e não sou forte o tempo todo
Por ter conhecido as pessoas erradas,
Porque as pessoas erradas me levaram as pessoas certas
e me fizeram aprender a enxergá-las certas com todos seus defeitos e qualidades

E aprendi que a dor que sente pode significar que você está vivo,
Mesmo que eu tenha que ter perdido você por um longo tempo
Pela paciência que você tem comigo,
Porque sei que não uma pessoa fácil de lidar,
com minhas exigências e excentricidades,
Pela paciência que eu tenho com você,
Porque você também não é fácil de lidar,
Mas está mudando por mim.
Por ter aprendido a esperar o choro acabar antes de tomar minhas decisões,
Porque decidir enquanto se chora é o mesmo que cantar de boca cheia
Por ter aprendido a exigir o que eu quero,
Porque eu sei que posso ter muitas das coisas que acho certo e bom,
Pelas decepções que tive,
Porque elas me mostraram que as pessoas não são como queremos ou achamos que são,
Pelas vezes em que chorei,
Porque elas me ensinaram o quanto é bom sorrir,
Pela solidão que conheci,
Pelas vozes que aprendi a reconhecer,
Pois as que reconheço são sempre fraternas e reconfortantes,
Pelos olhos que aprendi a enxergar,
segunda-feira, agosto 01, 2005
Pedaços do ultimo olhar de Maggie
transcorridos os dias que tanto chorei
Só eu sei o que seu olhar queria dizer
Eu vi teu ultimo olhar
eu vi a dor no seu ultimo suspiro
Mas não é dele que quero me lembrar
vou recordar daqueles seus olhos de alegria
prometo tentar não chorar tanto mais
prometo me lembrar de você toda vez que eu despertar,
prometo me lembrar de você todos os dias ao me deitar,
cada vez que chover, cada vez que a lua estiver cheia,
cada vez que eu sorrir, cada vez que eu chorar
pois você era a razão da minha alegria
cada vez que eu precisar de um motivo pra continuar
pois você era o maior...













