Preciso parar com isso....
Não seria sincera se não dissesse que não estou triste...
Mas não deveria ter depositado tanta esperança em uma coisa incerta.
Coloquei muita esperança que nesta semana que estou aqui eu levaria uma vida normal de alguém de 22 anos.
Mas esperanças frustradas apenas com um não.
A verdade é que eu sei que a Karina sempre foi minha amiga em qualquer circunstância, nunca me deixou sozinha em nenhum momento quando pode.
Ela não me procurava apenas quando precisava ou quando não tinha como ir à algum lugar, até porque quando nos tornamos amigas nenhuma das duas tinha como dirigir; tínhamos menos de 11 anos.
Independente do que fosse ela estava lá pra mim e eu pra ela, mesmo que fosse pra que uma das duas não ficasse sozinha nas noites de sexta apenas.
O fato é que depois que ela veio pra São Paulo eu fiquei sozinha, por mais que algumas pessoas digam que quando eu precisar estarão lá, elas não estão.
Estou cansada de estar disponível quando precisam de mim ou querem minha companhia e quando o contrário acontece todo mundo sempre tem um compromisso mais importante e urgente.
Algumas delas até estiveram ao meu lado em momentos realmente difíceis, mas eu não quero só ter lembranças ruins com as pessoas ao meu lado.
A verdade é que eu estou escrevendo isto porque sextas e sábados a noite me deprimem, porque toda sexta e todo sábado a noite eu estou em casa sozinha, ou, mesmo que não esteja em casa, estou sozinha.
Quantas vezes nos últimos tempos não aconteceu de eu esperar pronta pra sair e na hora a pessoa desmarcar comigo porque algo "realmente importante" aconteceu?
Quantas vezes pedi algo e na hora de aceitar tudo bem, mas na hora de fazer não deu porque alguém segurou a pessoa à quem eu tinha pedido conversando...
O meu problema é que eu nunca soube dizer não e, toda vez que alguém me requisita, lá estou eu.
Sinto que sou descartável pras pessoas que estão perto de mim.
Foi como eu disse pra Karina, nós não fomos feitas pra ficar longe uma da outra, ela me faz muito mais falta do que pensa lá em Ribeirão
Tenho certeza que ninguém ira ler aqui, mas se ler, sim, eu estou falando de você também. Pode vestir a carapuça.
Mesmo que depois eu diga que não era, tenha certeza que é.
E não venha querer tirar satisfações cheias de injuria, porque tenho na cabeça mais de um momento que provam o que eu estou falando.
Nos últimos tempos só me lembro de duas pessoas que na hora de se divertir se lembraram de mim, e não tem tanto tempo que as conheço.
Uma delas sequer tenho contato constante.
E a outra freqüenta lugares em que vão “personas non gratas” pra mim, mas ainda assim sou realmente agradecida a essa pessoa por me chamar.
Mas sabe o que é mais engraçado?
Porque que quando eu tinha dinheiro pra bancar lanches e passeios, e tinha o carro disponível, ou a moto para estrear, eu na passava um fim de semana sozinha?
Será porque naquela época não tinham emprego, nem carro, nem carta, nem namorado ou namorada, nem como sair?
Tenho quase certeza que sim, porque se aparecia algum outro programa pra fazer, eu era a última pessoa de quem lembrava.
Eu sei que não sou perfeita e que falhei algumas vezes com algumas pessoas, mas e comigo?
Quem se preocupa se está falhando ou não?
Quem já parou pra se perguntar se quando eu disse que não liguei pra algo que aconteceu era verdade ou não?
Ninguém...
Eu queria ter uma vida de uma pessoa normal da minha idade; sair, me divertir, ter amigos pra sentar num bar, ter realmente vontade de fazer festas pra eles...
Mas pra que?
Fazer festa pra gente que nem se lembra que eu existo enquanto está tudo bem pra eles?
Eu ia fazer um churrasco em uma chácara no meu aniversário, pra chamar gente que me deixa esperando, me deixa sozinha, e coisas assim...
Não quero...
Meus fins de semana são sempre muito chatos e deprimentes, estou levando uma vida que sei onde vai me levar; acabarei ficando como minha mãe.
Em dias como esse eu acabaria com “amizades” apenas por tentarem me retrucar algo com relação ao que eu estou falando, e esses dias tem sido muito mais freqüentes do que se pode imaginar.
Quem pode me culpar por me envolver com pessoas que não gostam de mim (como o Felipe por exemplo), já que os que deveriam estar ao meu lado me dando outro tipo de distração (não estou dizendo que devessem fazer papel de palhaços, apénas dividir risadas comigo) pouco se importam com o que me acontece?
Não venham me dizer que trabalham estudam ou outra merda qualquer e que ficam cansados porque ainda tem afazeres doméstico e não tem ânimo pra mais nada; eu já trabalhei e estudei ao mesmo tempo e sempre fui eu quem quem cuidei de minhas coisas em casa e ainda assim arrumava um jeito de ter vontade de estar com quem eu pensava que um dia me retribuiria.
Inclusive lembro de uma vez em que me recusei a sair por estar a mais de dois dias sem dormir, e o que disseram de mim não foram elogios por isso.
Tudo bem, tem gente esquecendo que a barriga não dói uma vez só.


