Dramas adolescentes, mas vai se fuder que o blog é meu!
Estava escolhendo a roupa que eu ia colocar e uma meia pro tênis não me machucar e lembrando do caminho que eu tinha que fazer a pé agora a pouco.
Pensando no quanto estou cansada de ter limpado uma casa enorme sozinha, lavado tapetes e molhado as plantas (que bom que elas vingaram, confesso que tive medo que elas morressem também, tudo do que gosto está dando errado ou morrendo), minhas costas estão me matando de varrer tapetes e carregar baldes.
Durante a tarde enquanto eu fazia isso, me lembrei que desde que voltei a estudar e enquanto estive trabalhando e agora que voltei (não ganho dinheiro, mas trabalho) se meu pai me perguntou duas vezes se tenho dinheiro pra comer foi muito.
Quando estava na escola, eu ganhava dinheiro pra comer um salgado na hora do recreio, guardava o dinheiro e comia feito uma louca no almoço. Quando minha mãe descobriu isso, parou de me dar o dinheiro.
Com doze anos comecei a trabalhar em troca de lanches ou de sorvetes; trabalhava o dia todo e quando ganhava o pão (literalmente) no fim do dia, ficava tão feliz! Assim foi até os 15, quando comecei a ganhar dinheiro na padaria pra limpar chão e levar desaforo pra casa dos patrões e clientes pela 1° vez, às vezes acordava às 5 horas da manhã, pleno mês de julho (me lembro do mês só porque passei o dia do meu aniversário lavando uma cozinha cheia de fornos, o que não foi ruim, pois estava frio) pra guardar leite no freezer. Nunca reclamei disso. Mudei de emprego, e descobri que meu patrão estava me “negociando” com um cliente que tinha no mínimo três vezes minha idade.
Quando contei pro meu pai, ele riu.
Ele riu! Será que achou que eu estava mentindo? Até hoje não acredito, mas ele riu.
Enfim, nunca parei de tentar ter o meu, agüentei todo tipo de desaforo de patrão e cliente calada porque eu sabia que precisava do que vinha no fim do mês.
Meu irmão mais velho sempre aproveitou bem a vida sem se preocupar muito com isso, freqüentou todas as festas que pode, namorou o quanto quis (me lembro de ele me pedindo dinheiro pra motel) e com quantas quis, enquanto criança, brincou de tudo que quis, fez todas as vagens que pode com colégio e amigos.
Quando eu pedia pra ir viajar, perguntava se podia e me perguntavam se eu preferia viajar ou ganhar o dinheiro, eu escolhia o dinheiro que nunca vi, assim como foi no dia da minha formatura de 8° série. Tudo bem até ai.
Enquanto eu limpava a casa e apanhava da minha mãe, meu irmão brincava com os amigos dele na rua, ele não soube o que era trabalhar de verdade antes dos 20 anos. Me lembro de uma vez que cheguei nela e disse que eu pedia por papai do céu que se fosse pra eu apanhar que não fosse todo dia mais, doía.
Meu irmão completou 18 anos e ganhou um carro, não era novo, mas ele não andou mais a pé ou de ônibus nem pra ir até a esquina, eu trabalhando pra comprar meus absorventes porque meu pai não falava comigo, ate cheguei a juntar algum dinheiro que eu usaria pra comprar um transporte pra mim quando chegasse a minha vez, mas o desgraçado do Harley gastou todo, sei que fui idiota de deixar, mas ele é um desgraçado que não pensa o quanto faz mal as pessoas.
Eu completei 18 anos, meu pai ainda não falava direito comigo, eu queria comprar um carro pra mim com um dinheiro de acerto, pedi que meu pai fosse ver o carro comigo, estava na porta de casa, ele nem saiu no portão. Comprei aquele maldito carro que não quero nem lembrar o quanto ele me fez chorar. Meu sonho sempre foi uma moto, mas tirei carta de carro sob a promessa de minha mãe de que me ajudaria a comprar um carro. Pergunta se alguém lembra dessa promessa?
Tudo bem, eu sabia que podia conseguir sozinha. Veio a Embratel, vendi aquele carro do inferno, juntei a duras penas o dinheiro (sair??? No máximo as noitadas de pic-nic no pão de açúcar com a Amanda e as festas de graça que a Embratel dava), entrei em um consórcio e ia finalmente poder pegar a moto planejada há quase 10 anos, quando comecei a trabalhar pra Maggie andar no said - car comigo (era um sonho estúpido? Pode ser mas era o meu único sonho) tardes e mais tardes sentada conversando com ela, imaginando como ela ficaria de capacete com a língua de fora. Meu irmão casou, pedi pro meu pai dar o apartamento pra ele, coitado, ele não tinha onde morar. A sogra dele o ajudou a trocar de carro pra um mais novo...
Ótimo!
Eu atravessando a cidade a pé porque meu pai só sabia falar “a gasolina ta cara”.
Fui demitida da Embratel (que bom, porque de positivo de lá só ficaram algumas amizades), pensei que arrumaria um emprego logo, afinal de contas não sou tão burra, e peguei a moto com o dinheiro do acerto, até tentei trabalhar de garçonete, mas a maldita Embratel me deixou uma tendinite no braço e no dia seguinte ao primeiro dia de trabalho eu não agüentava de tanta dor, tentei outros tantos empregos, mas os horários da faculdade não deixam, e tive que vender a moto pra não perder tudo, logo depois minhas coisas começaram a ser arrancadas de mim uma atrás da outra e a Maggie morreu...
E eu vendo meu irmão arrumar empregos de meio período que lhe dão muito mais em uma semana do que eu ganhava em um mês.
Ainda atenho que ouvir minha mãe me chamando de preguiçosa quase todos os dias porque não varri as folhas da calçada, ou porque não tive tempo de cortar a couve flor.
Tenta acordar todo dia às 8 da manhã, limpar casa, ir pro trabalho, de lá, ir direto pra faculdade em outra cidade e ficar do meio dia a meia noite e meia com um pão com manteiga no estomago, ir dormir ali pelas duas da manha e começar tudo de novo,tenta.
Hoje eu estava ali pedindo pras minhas costas pararem de doer e pensando como eu faria pra tirar cinco fotos de trabalhos que quero mandar pra uma exposição porque não tenho dinheiro nem pra comprar filme muito menos pra mandar revelar, quando ele chegou, abriu o note book, e mostrou as fotos que ele e a esposa tiraram esse fim de semana em Santos com a câmera digital nova.
Confesso, estou com muita inveja dele. Fico feliz por ele ter dado certo, mas estou com inveja.
Gostaria de saber onde foi que eu errei e ele acertou. Será que se eu começasse a gastar o mesmo dinheiro que ele gastou quando era mais jovem, eu teria o mesmo retorno que ele?
Eu não queria ser rica, só queria ter dinheiro pra comer na faculdade, porque vou direto do trabalho (não remunerado) pra lá e geralmente chego varada de fome de noite em casa e não tem janta, ou poder abastecer o carro quando vou ao centro buscar materiais pra faculdade, ou puder sair pra passear sem pensar que meu dinheiro não vai dar pro ingresso de vez em quando, ou não perder chances de fazer alguma coisa que tanto quero (como a exposição) porque não tenho dinheiro pra isso.
Desculpe, mas eu estou sozinha, chorando feito uma criança que perdeu o brinquedo e não tinha ninguém pra falar sobre isso, pela primeira vez estou me sentindo fracassada, e pensando que nada tem dado certo pra mim, mas sei que só a Amanda e o Philber lêem isto aqui e eles já estão acostumados com meus dramas que não interessam a ninguém, não sei nem mesmo se eles vão ler isto tudo, e pouco me importa se mais alguém vai ler e achar ridículo.
Obs: Amanda, leite de burra da gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaases!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pensando no quanto estou cansada de ter limpado uma casa enorme sozinha, lavado tapetes e molhado as plantas (que bom que elas vingaram, confesso que tive medo que elas morressem também, tudo do que gosto está dando errado ou morrendo), minhas costas estão me matando de varrer tapetes e carregar baldes.
Durante a tarde enquanto eu fazia isso, me lembrei que desde que voltei a estudar e enquanto estive trabalhando e agora que voltei (não ganho dinheiro, mas trabalho) se meu pai me perguntou duas vezes se tenho dinheiro pra comer foi muito.
Quando estava na escola, eu ganhava dinheiro pra comer um salgado na hora do recreio, guardava o dinheiro e comia feito uma louca no almoço. Quando minha mãe descobriu isso, parou de me dar o dinheiro.
Com doze anos comecei a trabalhar em troca de lanches ou de sorvetes; trabalhava o dia todo e quando ganhava o pão (literalmente) no fim do dia, ficava tão feliz! Assim foi até os 15, quando comecei a ganhar dinheiro na padaria pra limpar chão e levar desaforo pra casa dos patrões e clientes pela 1° vez, às vezes acordava às 5 horas da manhã, pleno mês de julho (me lembro do mês só porque passei o dia do meu aniversário lavando uma cozinha cheia de fornos, o que não foi ruim, pois estava frio) pra guardar leite no freezer. Nunca reclamei disso. Mudei de emprego, e descobri que meu patrão estava me “negociando” com um cliente que tinha no mínimo três vezes minha idade.
Quando contei pro meu pai, ele riu.
Ele riu! Será que achou que eu estava mentindo? Até hoje não acredito, mas ele riu.
Enfim, nunca parei de tentar ter o meu, agüentei todo tipo de desaforo de patrão e cliente calada porque eu sabia que precisava do que vinha no fim do mês.
Meu irmão mais velho sempre aproveitou bem a vida sem se preocupar muito com isso, freqüentou todas as festas que pode, namorou o quanto quis (me lembro de ele me pedindo dinheiro pra motel) e com quantas quis, enquanto criança, brincou de tudo que quis, fez todas as vagens que pode com colégio e amigos.
Quando eu pedia pra ir viajar, perguntava se podia e me perguntavam se eu preferia viajar ou ganhar o dinheiro, eu escolhia o dinheiro que nunca vi, assim como foi no dia da minha formatura de 8° série. Tudo bem até ai.
Enquanto eu limpava a casa e apanhava da minha mãe, meu irmão brincava com os amigos dele na rua, ele não soube o que era trabalhar de verdade antes dos 20 anos. Me lembro de uma vez que cheguei nela e disse que eu pedia por papai do céu que se fosse pra eu apanhar que não fosse todo dia mais, doía.
Meu irmão completou 18 anos e ganhou um carro, não era novo, mas ele não andou mais a pé ou de ônibus nem pra ir até a esquina, eu trabalhando pra comprar meus absorventes porque meu pai não falava comigo, ate cheguei a juntar algum dinheiro que eu usaria pra comprar um transporte pra mim quando chegasse a minha vez, mas o desgraçado do Harley gastou todo, sei que fui idiota de deixar, mas ele é um desgraçado que não pensa o quanto faz mal as pessoas.
Eu completei 18 anos, meu pai ainda não falava direito comigo, eu queria comprar um carro pra mim com um dinheiro de acerto, pedi que meu pai fosse ver o carro comigo, estava na porta de casa, ele nem saiu no portão. Comprei aquele maldito carro que não quero nem lembrar o quanto ele me fez chorar. Meu sonho sempre foi uma moto, mas tirei carta de carro sob a promessa de minha mãe de que me ajudaria a comprar um carro. Pergunta se alguém lembra dessa promessa?
Tudo bem, eu sabia que podia conseguir sozinha. Veio a Embratel, vendi aquele carro do inferno, juntei a duras penas o dinheiro (sair??? No máximo as noitadas de pic-nic no pão de açúcar com a Amanda e as festas de graça que a Embratel dava), entrei em um consórcio e ia finalmente poder pegar a moto planejada há quase 10 anos, quando comecei a trabalhar pra Maggie andar no said - car comigo (era um sonho estúpido? Pode ser mas era o meu único sonho) tardes e mais tardes sentada conversando com ela, imaginando como ela ficaria de capacete com a língua de fora. Meu irmão casou, pedi pro meu pai dar o apartamento pra ele, coitado, ele não tinha onde morar. A sogra dele o ajudou a trocar de carro pra um mais novo...
Ótimo!
Eu atravessando a cidade a pé porque meu pai só sabia falar “a gasolina ta cara”.
Fui demitida da Embratel (que bom, porque de positivo de lá só ficaram algumas amizades), pensei que arrumaria um emprego logo, afinal de contas não sou tão burra, e peguei a moto com o dinheiro do acerto, até tentei trabalhar de garçonete, mas a maldita Embratel me deixou uma tendinite no braço e no dia seguinte ao primeiro dia de trabalho eu não agüentava de tanta dor, tentei outros tantos empregos, mas os horários da faculdade não deixam, e tive que vender a moto pra não perder tudo, logo depois minhas coisas começaram a ser arrancadas de mim uma atrás da outra e a Maggie morreu...
E eu vendo meu irmão arrumar empregos de meio período que lhe dão muito mais em uma semana do que eu ganhava em um mês.
Ainda atenho que ouvir minha mãe me chamando de preguiçosa quase todos os dias porque não varri as folhas da calçada, ou porque não tive tempo de cortar a couve flor.
Tenta acordar todo dia às 8 da manhã, limpar casa, ir pro trabalho, de lá, ir direto pra faculdade em outra cidade e ficar do meio dia a meia noite e meia com um pão com manteiga no estomago, ir dormir ali pelas duas da manha e começar tudo de novo,tenta.
Hoje eu estava ali pedindo pras minhas costas pararem de doer e pensando como eu faria pra tirar cinco fotos de trabalhos que quero mandar pra uma exposição porque não tenho dinheiro nem pra comprar filme muito menos pra mandar revelar, quando ele chegou, abriu o note book, e mostrou as fotos que ele e a esposa tiraram esse fim de semana em Santos com a câmera digital nova.
Confesso, estou com muita inveja dele. Fico feliz por ele ter dado certo, mas estou com inveja.
Gostaria de saber onde foi que eu errei e ele acertou. Será que se eu começasse a gastar o mesmo dinheiro que ele gastou quando era mais jovem, eu teria o mesmo retorno que ele?
Eu não queria ser rica, só queria ter dinheiro pra comer na faculdade, porque vou direto do trabalho (não remunerado) pra lá e geralmente chego varada de fome de noite em casa e não tem janta, ou poder abastecer o carro quando vou ao centro buscar materiais pra faculdade, ou puder sair pra passear sem pensar que meu dinheiro não vai dar pro ingresso de vez em quando, ou não perder chances de fazer alguma coisa que tanto quero (como a exposição) porque não tenho dinheiro pra isso.
Desculpe, mas eu estou sozinha, chorando feito uma criança que perdeu o brinquedo e não tinha ninguém pra falar sobre isso, pela primeira vez estou me sentindo fracassada, e pensando que nada tem dado certo pra mim, mas sei que só a Amanda e o Philber lêem isto aqui e eles já estão acostumados com meus dramas que não interessam a ninguém, não sei nem mesmo se eles vão ler isto tudo, e pouco me importa se mais alguém vai ler e achar ridículo.
Obs: Amanda, leite de burra da gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaases!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

6 Comments:
Na verdade esse post foi escrito na tarde de domingo, antes de ligar pra Amanda.
Ganhar dinheiro é uma questão de imaginação e perseverança. Se quer um emprego, tem que vender sua imagem para seu futuro chefe antes de mais nada.
MEU, HAHAHAHAHAHA, nem vou dizer nada sobre o leite de burra...
E calma que vc vai conquistar seu espaço aos poucos, com ou sem "os outros" ao seu lado...
VC É UMA DAS PESSOAS QUE CONHEÇO QUE MAIS MERECE ISSO!!!
Bjos...
MEU, HAHAHAHAHAHA, nem vou dizer nada sobre o leite de burra...
E calma que vc vai conquistar seu espaço aos poucos, com ou sem "os outros" ao seu lado...
VC É UMA DAS PESSOAS QUE CONHEÇO QUE MAIS MERECE ISSO!!!
Bjos...
poxa, que emoçao...
meu blog nunca teve tantos coments
Não são só eles que lêem e se preocupam com vc né. ou vc acha que eu tô aqui por falta do que fazer ou porque não tem ninguém no msn? =D Lo
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